Ministrei o curso "Um olhar compreensivo sobre as psicopatologias", no qual apresentei o Transtorno de Ansiedade (Síndrome do Pânico e fobias), Transtorno Depressivo, Transtorno de Personalidade Borderline e Transtorno de Humor Bipolar, à luz da Gestalt-Terapia. O objetivo do curso foi trazer aos psicólogos um olhar compreensivo sobre o funcionamento psicológico específico de cada psicopatologia, o tipo de vínculo estabelecido com o terapeuta, o conteúdo dos mecanismos de defesa próprios de cada transtorno, o núcleo conflitivo vivido que propicia ao terapeuta efetuar um diagnóstico claro e diferencial, e realizar as intervenções apropriadas. Fiz uma distinção entre a psicodinâmica do neurótico e do psicótico considerando os seguintes distúrbios de relacionamento: a) subordinação ao outro; b) desconfirmação do outro; c) destruição do outro; d) exclusão do outro. Além disso destaquei os dilemas do contato que norteiam o desenvolvimento psicoemocional do indivíduo ao longo de sua vida: União/Separação; Dependência/Independência; Individualidade/Alteridade. A unidade
dialética organismo/ambiente da GT observa a ocorrência dos eventos
psicológicos na fronteira de contato, o que nos permite apontar esses três dilemas do
contato que são ontológicos ao processo desenvolvimental de todo ser humano. Esses dilemas são vividos perpetuamente
até a vida adulta, constituindo o drama existencial-relacional de cada um na
procura da própria autodefinição, auto-afirmação que só se dá via confirmação,
aceitação e reconhecimento por parte do outro. Todo dilema do contato revela uma experiência
introjetada e uma gestalt aberta. Cada psicopatologia tem seu núcleo conflitivo
particular, seus dilemas de contato e mecanismos de ajustamentos defensivos
específicos oriundos da personalidade singular do individuo que lhe dá uma forma única e pessoal. O importante é buscar a compreensão
fenomenológica da unidade de experiência (emoção, pensamento, ação) que dá sentido ao conflito e revela qual o dilema do contato essencial. O diagnóstico deve intencionar ir além da
identificação dos sintomas, deve visar o sentido da patologia e a descrição das
vivências subjetivas do sofrimento emocional pessoal pertinente à patologia
especificada. Quando não sabemos o que a pessoa tem, quando não nomeamos, não
podemos cuidar, tratar com eficácia e muito menos dar a esperança de transformação e cura.
domingo, 17 de dezembro de 2017
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Curso "Gestalt-Terapia com crianças e adolescentes", com Lynn Stadler
Compartilho com vocês o conhecimento que ganhei no curso magnífico ministrado por Lynn Stadler, gestaltista norte-americana, residente na California, seguidora do modelo de Violet Oaklander e integrante do Instituto VSOF. Lynn enfocou aspectos importantes do modelo da Violet, o qual coloca como objetivos centrais na terapia: 1) trabalhar a capacidade para o contato (definido como habilidade para estar presente); 2) fortalecer o senso de eu. Capacitar para o contato requer trabalhar: 1.1. o corpo (postura, movimento, coordenação, respiração); 1.2. os 5 sentidos; 1.3. as emoções (nomear e expressar); 1.4. a cognição (pensamentos, raciocínio, inteligência, atenção). A criança quando chega, requer que o terapeuta explore como está sua habilidade para o contato e os bloqueios do contato; descubra aonde está a fragilidade do eu e aonde está sua força e potencial; identifique as introjeções que desviam o eu do caminho da espontaneidade e da autenticidade. É fundamental trabalhar o reconhecimento e a expressão das 4 emoções básicas (alegria, tristeza, medo, raiva), desbloquear a emoção proibida e temida a fim de possibilitar a criança funcionar de maneira integrada e plena. As crianças são ensinadas a controlar/inibir a expressão de certas emoções, principalmente a raiva. Experimentos com a energia agressiva (responsável pela capacidade de enfrentar o ambiente, se opor ao outro, defender suas fronteiras e proteger e valorizar o eu) são a base do processo terapêutico que visa primordialmente o fortalecimento do senso de eu e desenvolver o autossuporte. Os pais devem ser incluídos no processo como companheiros de jornada, desde a 1a. sessão. O terapeuta recebe a criança e os pais juntos para esclarecer sobre o percurso terapêutico, o contrato, construir a relação em base a confiança e segurança. A criança deve ouvir dos pais o motivo de estar precisando de terapia, os pais devem ouvir da criança sobre as suas ansiedades, medos e necessidades afetivas, e ainda ouvir do terapeuta a importância de todos aprenderem a lidar com as emoções (temidas, proibidas, permitidas), aceitando qualquer emoção expressa sem julgamento. A criança muda se o campo muda. O terapeuta é um facilitador do contato, da comunicação, da conscientização dos conflitos individuais dos pais que estão sendo projetados na criança. A criança deve ser encorajada a exercer a sua autonomia e individualidade. Usamos muito desenho, argila, cartões postais (imagens de lugar, pessoas, atividades, animais), fantasias dirigidas (da roseira, infância, emoções), listas que usem afirmativas de preferencias, escolhas pessoais (eu gosto, eu não gosto...). Foi muito gratificante e enriquecedora essa experiencia com Lynn. Gratidão ao ITGT, especialmente a Virginia e Mariseth, por propiciarem essa oportunidade a nós gestaltistas do Brasil.
quinta-feira, 2 de novembro de 2017
Cartaz curso "Um olhar compreensivo sobre as psicopatologias"
Olá amigos e amigas Psi,
Apresento o cartaz eletrônico sobre o curso. Há uma pequena modificação a ser feita quanto ao local do evento. Será na Clínica Evoé, Shopping Id, sala 509. Entendermos sobre a psicodinâmica das psicopatologias é fundamental para sabermos cuidar terapeuticamente e compreendermos os fenômenos intersubjetivos (processos transferenciais e contratransferenciais) que podem se manifestar no campo terapeutico. Uma boa teoria nos propicia uma boa prática. Aguardo vocês lá!
sexta-feira, 20 de outubro de 2017
Curso "Um olhar compreensivo sobre as psicopatologias"
Darei um curso sobre as psicopatologias da Depressão, o Transtorno de Ansiedade enfocando a Síndrome do Pânico, o Transtorno Borderline e o Transtorno de Humor Bipolar, no dia 18 de novembro de 2017, no Instituto de Gestalt Terapia de Brasília, com carga horária de 8horas. O curso será baseado na teoria da Gestalt Terapia e alguns princípios filosóficos da Fenomenologia e do Existencialismo que propiciam um olhar compreensivo sobre o funcionamento neurótico e psicótico e as psicodinâmicas próprias de cada psicopatologia. O curso é aberto para psicoterapeutas de qualquer abordagem.
Experiência profissional: Mestre em
Psicologia Clínica pela UnB. Membro docente e fundador do Instituto de Gestalt
Terapia de Brasilia - IGTB. Treinamento em psicoterapia com crianças e
adolescentes com Violet Oaklander, em Sta. Barbara-CA. Psicóloga fundadora do
Hospital Psiquiátrico da Granja do Riacho Fundo/DF. Psicóloga do Centro de
Orientação Médico Psicopedagógica da Secretaria de Saúde – COMPP/SES/DF.
Organizadora do livro “A clínica gestáltica com crianças: caminhos de
crescimento”. Autora do livro “Cuidando de crianças: teoria e arte em Gestalt-terapia”.
Colaboradora do livro “A clínica gestáltica com adolescentes: caminhos clínicos
e institucionais” e do livro “Modalidades de intervenção clínica em Gestalt-Terapia”.
Objetivos: Apresentar o campo teórico que
fundamenta a prática clínica da Gestalt-terapia. Oferecer uma compreensão
teórico-clínica sobre as psicopatologias da Depressão, Transtorno de Ansiedade,
Borderline e Transtorno de Humor Bipolar. Descrever a psicodinâmica do
funcionamento neurótico e psicótico. Realizar supervisão clínica.
Conteúdo programático:
Conceitos básicos
Saúde
e doença
Transtorno
da depressão; Transtorno de ansiedade (Síndrome do Pânico); Borderline;
Transtorno do Humor Bipolar
Os
processos defensivos psicológicos na Gestalt-Terapia
O
funcionamento psicológico em cada transtorno
A relação terapêutica (fenômenos
intersubjetivos)
Carga
horária: 8horas - 8h30 às 18h30.
Data: 18
de novembro de 2017
Investimento
profissional: $240,00 à vista ou $260,00 em 2 parcelas
*Inclui certificado e lanche
Local: Instituto de Gestalt Terapia de Brasília - subsolo
Inscrições:
Instituto de Gestalt Terapia de Brasília (IGTB)
Contato: 99967.7569/3033.7094 e 98133.1515
quinta-feira, 12 de outubro de 2017
Feliz dia das crianças
Brinca, pula, canta, sorri, faz do teu pulsar natural
O direito de descobrir, o anseio de tudo poder,
O mistério de existir. Ao brincar tu (criança)
Reinventas o mundo, o gesto, a língua, o amor!
Viva a criança! Ser criança é ser o que se é sem
saber que é o ser em plenitude! Que possamos
resgatar a essência de ser criança, vivendo a
verdade e a alegria do nosso ser! O brincar do
adulto é dançar, jogar, cantar, fazer poesia.
Que isso prevaleça na busca eterna do sentir-se
feliz, da autorrealização profissional e existencial!
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Curso "Psicopatologias da Infância e da Adolescência", em Teresina
Estive, em Teresina, nos dias 25 e 26 de agosto, para ministrar o curso "Psicopatologias da Infância e da Adolescência: Transtorno de Ansiedade. Depressão e TDAH", a convite de Ilana Arêa Leão, uma grande entusiasta da Gestalt Terapia, responsável pelo Instituto de Gestalt do Piauí junto com Aline e Luana. Fiquei muito feliz com a enorme procura pelo curso, foram 48 inscritos que participaram ativamente da parte prática e teórica do curso. Em cada distúrbio há um núcleo conflitivo que nos permite fazer um diagnóstico diferencial e traçar objetivos terapêuticos específicos. Com crianças e adolescentes é fundamental que o terapeuta busque concretizar seus conflitos, ansiedades, defesas para que a criança possa tomar consciência a partir do que vê, sente, pensa e faz na cena dramatizada. O
terapeuta antes da aplicação de uma técnica ou experimento deve ater-se em
construir a relação, despertar o vínculo de confiança para criar um ambiente de
segurança e assim a criança aceitar sem resistência as suas proposições de
experimentos e técnicas. O terapeuta atento sabe que a criança mostra aquilo
que precisa pela própria atividade que escolhe e até pela resistência que
apresenta a determinadas atividades. A sua presença
consciente é fundamental para orientar suas intervenções, a condução do
processo e o planejamento dos objetivos terapeuticos. A psicoterapia é a arte do
diálogo, somos responsáveis pela promoção do fazer criativo que irá restituir a
expressão verdadeira e a saúde emocional da criança .
Curso "Recursos terapêuticos na clínica gestáltica com crianças"
Foi com muita alegria que ministrei o curso "Recursos terapêuticos na clínica gestáltica com crianças", em Natal, no dia 12 de julho, sob a organização criativa e competente de Marina Ferrer, administradora do Espaço Vila do Brincar. Foi tudo decidido de última hora, contando com minha disponibilidade, interesse e amor ao meu trabalho na Gestalt, e com o entusiasmo de Marina e das muitas psicólogas e pedagogas motivadas com o atendimento infantil. Apresentei o uso da casinha com bonecos de família, do desenho livre e do HTP, da massinha e do corpo (exercícios com posturas e movimentos corporais, respiração e relaxamento) baseado na metodologia gestáltica da awareness, por meio da vivência individual. Nosso método de raiz fenomenológica segue esses passos para se chegar a tomada de consciencia: 1) Descrição da cena; 2) Identificação dos personagens e objetos; 3) Diálogo entre os personagens e/ou objetos; 4) Apropriação dos pensamentos e sentimentos projetados. Pela metodologia
fenomenológica da awareness, o
terapeuta não interpreta, mas explora as projeções, observando as cenas e
descrevendo o que vê. A psicoterapia com crianças se dá fundamentalmente nas
fantasias, as quais servem como “chave
para a conscientização das próprias
necessidades” (Burow e Scherpp, 1985, p. 79). Daí a necessidade de concretizar seus
conflitos (por meio de encenações) que são acompanhados de conteúdos fantasmáticos e elementos simbólicos geradores de angústias e medos.
Trecho extraído do meu livro "Cuidando de crianças: teoria e arte em Gestalt-Terapia".
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